quarta-feira, 12 de junho de 2013

Porque sim

Porque esse é o nosso primeiro dia dos namorados juntos.
Porque esse não é o nosso primeiro dia dos namorados juntos.
Porque, contrariando 1119 quilômetros, nunca me senti tão próxima de alguém quanto me sinto de você.
Porque assim como nossa história não tem um começo, eu espero que ela também não tenha fim.

Te amo pra caralho.

Feliz dia dos namorados.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A esperança é vermelha


No início de 1995, eu aprendi a gostar de futebol. E, antecipando uma tendência na minha vida, meu coração seguiu um caminho muito bonito e muito difícil: torcer pelo Santos. Não era nada fácil ser menina, gostar de futebol e ser santista. Ainda mais em São Paulo. Nós éramos o núcleo cômico da época.

Mas amor, meus amigos, o verdadeiro, não se constroi sobre conveniências. Ele existe e fim. Aquilo que se diz nas cerimônias de casamento não deveria ser uma promessa, e sim uma constatação. O amor verdadeiro permanece o mesmo na alegria e na tristeza.

A torcida do Santos conhecia isso tudo. Os afortunados com umas décadas a mais de vida testemunharam a alegria plena de ter o melhor time do mundo e o melhor jogador de todos os tempos. Seus filhos e netos, embora conhecessem as histórias de cor, não tinham tido a mesma sorte. Até o Campeonato Brasileiro de 1995.

Ali vimos surgir Giovanni, um verdadeiro maestro a reger um time modesto, porém sério, eficiente, motivado. O grupo trabalhava junto e, aos poucos, conseguiu lugar de destaque na competição mais importante do país. A classificação para as semifinais veio na última rodada da segunda fase, com direito a gol aos 40 do segundo tempo. Tão sofrido quanto lindo.

Encaramos o Fluminense do Renato Gaúcho, o favoritismo deles, o tratamento desigual da imprensa. Engolimos a seco um placar adverso de 4 a 1 no primeiro jogo. Enfrentamos o “já ganhou” dos cariocas e, claro, mais um sem fim de piadas dos adversários locais. Ainda sem digerir a derrota, levantamos a cabeça para a segunda partida.


Contradizendo uma das piadas mais comuns a nosso respeito, lotamos o Pacaembu. Aproximadamente 30 mil abençoados puderam ver de perto o milagre do futebol acontecer. Outros tantos, como eu, acompanharam pela TV, não menos emocionados.

Giovanni fez os dois gols que prometera um dia antes. Terminamos o primeiro tempo em vantagem e o time permaneceu em campo durante o intervalo para continuar conectado com a força da torcida, num dos mais belos momentos já vistos no futebol. Veio a segunda etapa e fomos brindados com todo tipo de brilho e drama – dribles desconcertantes, toque de calcanhar, chutes de fora da área. Conseguimos. Vencemos por 5 a 2 e devolvemos a diferença. A vantagem do empate era nossa, e a classificação também.


Força de vontade, superação, determinação e tantos outros clichês podem ser utilizados pra descrever a partida. Eu prefiro resumir a uma palavra: esperança. O que aconteceu naquela tarde, há exatos 17 anos, foi a renovação desse sentimento na torcida santista - não apenas pela reversão de um placar muito desfavorável, mas por lembrar a todos nós que a magia da camisa branca estava apenas adormecida, mas sempre poderia retornar. E a esperança era vermelha. Vermelha da cor dos cabelos do Giovanni, que os pintou para pagar uma promessa pela classificação para as semifinais. Em sua homenagem, centenas de santistas fizeram o mesmo.

O amor verdadeiro é gratuito e duradouro, mas fica muito mais bonito quando é recíproco. No dia 10 de dezembro de 1995 tivemos a nossa reconciliação, nossa segunda lua de mel. A renovação dos votos foi fundamental para os tempos difíceis que vieram em seguida. A nossa geração tinha, então, uma linda história a ser contada. E é por isso que estou, pela décima sétima vez, comemorando o aniversário do jogo da minha vida.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

All those troubles are gone

Na minha vida de groupie juvenil colecionadora de CDs e pôsteres, eu tinha uma santíssima trindade de rockstars lindos: Shannon Hoon, Nuno Bettencourt e Whitfield Crane. Lógico que a lista era bem maior, mas esses eram os favoritos e estavam por toda parte, além de terem mais espaço na parede. O primeiro eu infelizmente jamais poderei ver. O segundo eu conheci bem de perto há pouco menos de um ano. E, seguindo firme no propósito de ver meus ídolos saírem da tela da MTV diretamente para a vida real, no último fim de semana eu vi o terceiro de pertinho. Da grade. Com direito a toque na mão e tudo.

O mundo gira e a justiça é feita. Há 18 anos, o Ugly Kid Joe vinha ao Brasil tocar no Hollywood Rock, e a censura não me permitia ver. Então meu tio me levou à porta do hotel onde a banda estava hospedada e passamos um dia inteiro debaixo de garoa aguardando um aceno, que fosse. Não tive sucesso. Mas valeu a pena esperar tudo isso. Whitfield continua tão lindo quanto era nos pôsteres, e eu realizei mais um sonho.


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Doze anos


No dia 29 de junho de 2000, eu acordava depois de uma noite de muitas dores pra ir à minha consulta periódica de pré-natal. A barriga estava muito grande, a coluna já não aguentava tanto, e o Dr. Julio decidiu que, para a nossa segurança, aquele era um bom dia pra você sair do bem bom e enfrentar o inverno aqui fora.

Vai pra casa, toma uma sopa leve, um belo banho, liga pra todos os seus familiares e depois vai para o hospital. Não sei a que horas chegarei, mas seu bebê vai nascer hoje.

Essa foi a terceira vez em que você me pregou um susto - desses que você dá até hoje quando desce a pista com skate, vai sozinho jogar bola no parque ou pula destemidamente na piscina. Tinha muito medo da cesariana e saí chorando do consultório. Pena que, naquela época, você não podia ainda falar “Calma, mãe!” como você faz quando eu te olho torto agora.

O primeiro susto, Rubinho, foi quando eu descobri que você existia. Primeiro a menstruação atrasou. Depois senti vontade de comer banana como se nada mais existisse. Então eu enjoei de beterraba de uma hora pra outra. Só aí me convenci de que deveria fazer o teste. Quando vi o POSITIVO, bem grande, eu chorei. Chorei de medo, filho. Eu tinha só 17 anos, ainda estava no colégio. Tinha medo do que os outros iam pensar, de decepcionar meus pais, de não termos dinheiro pra te sustentar. Mas o susto durou tanto quanto dura uma descida de rampa com o skate, e logo eu estava muito feliz.

O segundo foi poucas semanas depois, quando eu tive que ficar internada, pois estava muito fraca de tanto enjoo que eu tinha. Entrei em convulsão e os médicos disseram que eu precisava repousar bastante pra não correr o risco de te perder.  Aquilo me apavorou, pois você já era tudo pra mim.

O começo da gestação foi bem complicado, mas quando os enjoos passaram, eu me diverti muito com você na minha barriga. Foram vários desejos – você já era o mais exigente da família desde aquela época. Mousse de maracujá, sorvete de chocolate com chantilly, azeitona preta, macarrão da bisa, rosquinhas de Catiguá e abacaxi. Muito abacaxi. Graças a você eu parei também de tomar Coca-cola, e eis um favor que jamais poderei retribuir. Eu não me preocupei com peso, ou forma física. Eu era a grávida mais feliz que eu conhecia e, por isso mesmo, me sentia linda como nunca. Você sempre me fez muito bem, filho.

Pois naquele dia 29 de junho eu fiz exatamente o que o médico mandou. Inclusive a parte de ligar pros parentes. Tanto que havia, aproximadamente, umas 20 pessoas naquele hospital quando você nasceu. E, como o médico demorou a chegar, deu tempo de vir todo mundo.

Seu pai teve medo, e eu entrei sozinha na sala de parto. O Dr. Julio chegou com um rádio debaixo do braço e disse que só trabalhava com música. Eu achei ótimo, pois eu só vivo com música. E enquanto o procedimento acontecia, eu cantava, desse jeito que você me vê cantar enquanto eu faço comida: completamente desafinada, mas feliz. De repente eu ouvi um chorinho, e o doutor trouxe você pra perto de mim. E foi a coisa mais linda que eu já vi na vida. Eu chorei de lavar a alma. O doutor chorou junto, disse que estava orgulhoso de ver uma mocinha tão novinha e tão feliz com seu bebê. Naquele dia, enquanto terminava a cirurgia, ele me disse algo que eu nunca esqueci: 

Lembre-se sempre de que ele é uma pessoa que veio ao mundo através de você, mas ele não é seu. Cuide, eduque, ame, mas não se esqueça de que ele é um ser humano como você, e não sua propriedade. E não se importe com o que vão dizer sobre a sua idade. Vocês terão muito mais tempos juntos, e estarão muito próximos um do outro. Eu tenho certeza de que você será uma ótima mãe.

É o que tenho tentado fazer, Rubinho. Compartilhar a vida, o pouco que eu sei e o muito que vou aprendendo, para que você seja uma pessoa legal. Você tem sido uma criança incrível, e está se tornando um moço bacana demais. Desde que eu soube da sua existência a minha vida só melhorou. Você é um ótimo irmão, primo e sobrinho. Todas as crianças e adolescentes da família têm você como exemplo. Os adultos sabem que podem sempre confiar em você. Seus colegas e professores são só elogios. E eu tenho um filho que me obedece e respeita, mas também me conhece, acolhe e ajuda como um grande amigo.

Hoje você faz doze anos. A idade que eu tinha quando conheci e me apaixonei pelo seu pai. Estou aqui sentada com as minhas caixas de recordações, emocionada vendo mais um ciclo se completar. E a conclusão a que chego é que a cada ano que passa é melhor ainda ser sua mãe.

Feliz aniversário, filho.

Eu te amo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Este não é um texto sobre Ayrton Senna

É sempre bom esclarecer, porque nesta semana parece não haver outro assunto. E, embora eu também estivesse vendo a maldita corrida em 1994, minha referência para o dia 1º de maio é bem outra.

Em 1993 eu tinha onze anos, mas era doida pra ter dezoito, só pra poder fazer umas tatuagens, colocar piercing no nariz e, principalmente, ir aos shows de rock, que eram censurados para pessoas da minha idade. Eu era uma mini groupie frustradíssima.

Até que o Metallica anunciou sua turnê no Brasil com censura livre. E eu me lembro claramente de azucrinar meus pais para me levarem, exatamente como qualquer criança de onze anos faria... por um brinquedo. Ou por uma ida ao Playcenter. Mas eu queria um show de rock.

Meu pai me levou ao shopping Center Norte pra comprar os ingressos. Naquela noite, eu ganhei também um esquilo, o Faustinho, que fez parte da família por um ano. Compramos também ingressos para uma coleguinha da escola e sua mãe. Realmente parecia um passeio ao parque de diversões. E não deixava de ser.

E na tarde de 1º de maio daquele ano, fomos todos ao Parque Antártica. A primeira vez que pisei num estádio de futebol, mal sabendo que essa também seria uma das minhas grandes paixões no futuro. Eu me lembro de tudo: da fila, do lanche de mortadela que levamos na mochila, do chocolate Rocky distribuído na entrada, do banquinho de madeira pintado de verde, do Gastão aparecendo no palco pra filmar o Fúria Metal Especial. Com o dia ainda claro, o clipe de Sad But True foi exibido nos telões, e o público cantou em uníssono. Meu coração bateu junto com a bateria do Lars, e eu sabia que nunca mais seria a mesma depois daquilo.

O show de abertura, para minha enorme surpresa, foi do Viper - que, até então, era uma das bandas favoritas. O sonho começava a se realizar antes do esperado, e eu, pela primeira vez na vida, cantei a plenos pulmões num show, como viria a fazer dezenas de vezes depois.

O clipe de Evolution foi gravado neste show. Eu estava lá :)

Então chegou a vez do Metallica. O mar de gente na pista pulando e cantando Enter Sandman foi uma espécie de revelação pra mim. A coisa mais bonita que eu tinha visto até então - e continua sendo uma das que vi até hoje. Eu estava bem longe do palco, mas perto o suficiente pra perceber que os caras que eu via no Clip Trip existiam de verdade. Saí de lá com uma nova definição de felicidade, que eu carrego até hoje.

E é por isso que, há 19 anos, o dia 1º de maio é "O Dia em que vi o Viper", "O Dia em que vi o Metallica pela primeira vez", ou ainda, como eu prefiro, "O Dia em que vi meu primeiro show de rock".

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Pensando bem


Eu ainda não tenho casa própria. Sequer possuo um carro pra chamar de meu. Não compro roupas com muita frequência, uso o mesmo tênis velho o ano todo. Meu apartamento não se parece com os de revista de decoração e as gavetas dos armários estão emperrando. Estou acima do peso e ainda não consegui me matricular na dança de salão.

Não tenho um monte de coisas que gostaria de ter. No entanto, as três coisas que eu mais queria quando crescesse, eu consegui: ser professora, ter uma família bem grande e ir a todos os shows que eu pudesse.

Acho que o nome disso é sucesso.  Quiçá, felicidade.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Reto entre tudo que há de incerto em mim


Então você passa a vida imaginando e procurando a pessoa certa. Faz um monte de bobagens, se engana, se entrega, sofre, começa tudo de novo. Acaba ficando experiente nessa história de se reencontrar. E enxergar novas possibilidades que, embora distantes daquilo que você planejava, têm chances de se transformarem em coisas muito boas.

O que você não esperava, embora quisesse, é que a pessoa certa apareceria. Na sua cabeça, ela era apenas um ideal. Um paradigma que você criou para confrontar com a (quase sempre dura) realidade. A vida te ensinou a caminhar, e não a chegar ao destino. E é por isso que tudo o que deveria lhe trazer paz, agora causa medo. Sua única certeza, a de sempre correr atrás e nunca alcançar, sumiu.

Tão acostumada a procurar, não sabia o que fazer quando finalmente encontrou.

Não era pra ser tão difícil.

Sempre Te Quis by Os Paralamas Do Sucesso on Grooveshark





terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Nothing you would take, everything you gave.

Eu poderia escrever sobre a sua luta e o exemplo que você deu pra todo mundo. Poderia dizer sobre sua extrema generosidade, como você sempre sabia o que eu estava sentindo, e estava lá pra me colocar de pé quando eu queria ajoelhar. Poderia também falar sobre o monte de coisas que a gente ia fazer juntos. Mas você sabe de tudo isso, e eu também. Prefiro apenas te dizer que você fez a diferença na minha vida inúmeras vezes, e vai fazer muita falta, Ale. Minha esperança e meu amor estarão com você pra sempre. O resto, deixo pro Eddie dizer.



PS: Prometo colocar meu maior sorriso, o que você tanto gostava, de volta no rosto. Logo, logo.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia 5 - The next time we touch


***Prólogo***

Depois da passagem relâmpago por Curitiba, eu migrei pro Sul. Numa manhã extremamente nublada, quando todos os vôos do Aeroporto Afonso Pena eram cancelados ou adiados, o único que saiu no horário previsto foi o meu. Sou supersticiosa e pra mim aquilo foi um excelente presságio.

Chegando em Porto Alegre, uma pequena confusão pra encontrar o Fabiano – eu no aeroporto velho, ele no novo. Algumas ligações depois, conseguimos nos achar e ficou tudo bem.

(((PARÊNTESES)))
Quando os shows do Pearl Jam no Brasil foram anunciados e eu vi a lista de cidades, tinha duas certezas: 1 – Eu veria TODOS os shows; 2 – Eu já tinha onde ficar em Porto Alegre. Não, não tenho nenhum parente lá, mas tinha o Fabiano (ou @bonfiglio, como o conheci, também através do Twitter). Eu tenho muita pena de quem acha mesmo que na internet só tem gente estranha e perigosa. Quem nunca fez um amigo virtual virar real não sabe o que tá perdendo. E o Fabiano é uma versão minha, só que homem, gaúcho e colorado. Reservei passagens e programei três dias na casa do desconhecido mais conhecido que já tive, com a certeza absluta de que seria muito bem recebida. Ele me hospedou, me levou pra conhecer um pouco da cidade, me emprestou a filha caçula (Mel, essa linda, me apaixonei) enquanto eu estava longe dos meus e ainda foi ao show comigo. Aconteceram tantas coisas especiais nos dias que passei com a família Bonfiglio que os relatos da jornada merecem um spin-off.
(((FECHA PARÊNTESES)))

Cheguei numa quinta chuvosa e o show foi só na sexta. Ainda bem, pois deu tempo do clima melhorar. E o destino fez com que a Mel nos acompanhasse. Tudo conspirando para uma noite inesquecível.

***Dia 5***


Cheguei cedo nos arredores do estádio, pois ainda tinha que comprar o ingresso da Mel. Fiquei observando bem tudo ao meu redor. Pela primeira vez desde que começou o assunto Peral Jam no Brasil, eu não estava ansiosa. Pelo contrário, queria que tudo aquilo demorasse muito a passar.

Conheci o simpático Estádio do Zequinha, casa do São José, que está para Porto Alegre mais ou menos como o Juventus da Moóca está para São Paulo. Impossível não lembrar da Carol, que tem toda uma história de família ligada àquele lugar J

Entramos e o frio bateu. Pude usar minha outra camisa xadrez de estimação. Sentamo-nos e ficamos conversando até chegar perto do show começar. Eu estava bem decidida a manter aquele clima leve até o fim da apresentação. Queria curtir, contemplar, me divertir, e de preferência sem chiliques. Afinal de contas, o que mais eles poderiam fazer no setlist para me deixar fora da casinha? Mais uma vez, felizmente, eu estava enganada.

O show começou com Why Go, e o Jeff em destaque logo de cara. Muito amor. Enquanto rolaram as músicas “de sempre”, eu tava muito firmo no meu propósito de ficar apenas feliz. Então começou Low Light, a primeira surpresa, e eu já fiquei um pouco abalada, mas nada que me derrubasse. Wishlist, pode riscar mais uma.

No entanto, mais pra metade do show, vei a música que é *só* a maior lição que essa banda me ensinou: Present Tense. Minha primeira reação ao ouvir os acordes iniciais foi imaginar a felicidade dos amigos, aqueles com quem estive em Curitiba. Quando o chegou o refrão, eu desabei. Chorei de lavar a alma. “Makes much more sense to live in the present tense” era tudo o que eu precisava ouvir ali, naquele momento, naquele lugar.

Present Tense terminou e eu não tinha conseguido me recuperar, quando começou Daughter. E aí quem desmontou foi o Fabiano, e ficamos lá abraçados e chorando. Projeto Manter a Pose: FAIL.

Pra me lembrar que meus desejos estavam sendo atendidos, rolou Wishlist novamente. E o primeiro encore foi encerrado com Black (versão We Belong Together). Essa é, talvez, a música mais óbvia em um setlist de Pearl Jam. Eu já tinha visto em todos os outros shows. Mas ainda assim, ali, eu sabia que era uma despedida. E chorei. Muito.

Mas o melhor ainda estava por vir. No segundo encore, Eddie Vedder dá o seguinte aviso: “This is a request”. Minhas pernas tremeram, porque lá na frente estavam meus amigos com um cartaz escrito SMILE, música que a Clau queria como presente de aniversário. Eu pensei que eles fossem tocá-la, quando um pequeno silêncio instaurou-se. Eddie contou até três e... Hold on to the thread, the currents will shift... Sim, eles estavam tocando Oceans! OCEANS! O-C-E-A-N-S! Se tem uma música que eu jamais pensei que poderia ouvir ao vivo, era essa. E ela é importante DEMAIS na minha vida, desde sempre. Eu ajoelhei e ouvi a primeira parte chorando, de olhos fechados. Um dos momentos mais emocionantes da minha vida para todo o sempre.

Quando eu achava que nada mais poderia acontecer, eles tocaram Light Years, outro pedido forte da minha Wishlist. E eu emendei o choro de Oceans que ainda não tinha acabado direito. Virei praticamente a Alice flutuando nas próprias lágrimas.

Dali pra frente foi um misto de alegria e saudade. Já sabia que o fim estava próximo, e não queria que isso acontecesse. Então decidi valer cada segundo valer a pena. Isso incluiu cantar e dançar com os braços abertos em... Last Kiss. Pois é.

Antes do fim ainda teve Crazy Mary, mais uma surpresinha. E o "até breve" foi mesmo Yellow Ledbetter, com direito a um trecho de Little Wing antes de McCready ir embora e o palco ficar vazio.

***Epílogo***

Esse foi, sem dúvidas, e de longe, o melhor show da minha vida. E tenho certeza absoluta que só poderá ser superado pelo próprio Pearl Jam, quando eles voltarem. E eu sei que eles vão voltar. Sei também que até lá eu terei condições de fazer tudo de novo. Tudo mesmo.

Ainda tive tempo de dormir, acordar no dia seguinte com mousse de maracujá na cama e o clipe de Oceans na TV. Passear pela cidade que eu sempre quis conhecer, e que de alguma maneira eu sabia que me faria sentir em casa. O day after foi tão lindo quanto o próprio dia do show, e minha jornada acabou com o nascer de sol mais lindo do mundo, no domingo de manhã.

A quem me ajudou, a quem me acolheu, a quem esteve comigo e a quem torceu por mim, eu agradeço do fundo do meu coração. Foram dias que fizeram minha vida simples virar uma história muito boa ser lembrada e contada.

I miss you already.

***Ficha Técnica***

Quando: Sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Zequinha, Porto Alegre
O que:



Dia 4 - All around me was enlightened

***Prólogo***

O dia 9 de novembro de 2011 começou todo torto. Muitas coisas dando errado em casa, minha mãe com um problema sério de saúde... Cheguei a pensar em desistir de partir pra Curitiba. Porém, graças ao meu pai, que segurou toda a barra, eu pude embarcar tranquila naquele avião. Bem, não tão tranquila assim, já que cheguei atrasada no aeroporto, a fila estava imensa, etc. Mas o importante é que no final deu tudo certo. MUITO certo.

Dessa vez eu não fui sozinha. Babi e Diego estavam ao meu lado e demos muita risada no vôo. Também conhecemos juntos o famoso ponto de ônibus em forma de tubo da capital do Paraná antes de seguirmos aos nossos destinos – eles para o hotel, eu para a casa da Nah e do Drico.

(((PARÊNTESES)))
Nah e Drico são um casal lindo, lindo, lindo que eu conheci no Twitter. Na verdade, conheci primeiro a Nah, santista roxa que nem eu, e acompanhei via internet seus preparativos pro casamento. Os dois se ofereceram pra me receber em Curitiba assim que souberam que eu estaria por lá, e foram ainda mais lindos na vida offline do que na online. Ainda conheci a Sookie, cachorrinha deles que dormiu comigo (nhoooooooim) e ficou dançando na minha mala. Preciso muito voltar lá com mais tempo pra curtir todo mundo direito. Mesmo tendo sido rapidinho, amei tudo. Obrigada :)
(((FECHA PARÊNTESES)))

Depois de um lanche reforçado e muita comemoração pelo anúncio da permanência de Neymar no Santos até 2014, parti para o próximo encontro.

***Dia 4***

A qualidade não tá lá essas coisas, mas o importante é a
prova do crime!
Cheguei relativamente cedo ao estádio, apesar de ter me perdido (claro) e passeado por um bom pedaço de Curtiba. O local era pequeno, e eu ficaria na pista premium – graças à empolgação e à generosidade da Babi -, portanto tinha uma ideia fixa: VER A BANDA. Porque até então eu tinha curtido os shows, mas visto formigas e/ou o telão, quando não ficava sem ver nada mesmo. Encontrei a turma e conseguimos ficar bem perto da grade. E sim, eu os vi de pertinho *.*

A emoção já começou no show da banda de abertura, X. Eu não tinha conseguido vê-los em nenhum dos três shows anteriores, e até achei legal. Mas não tinha jeito, precisava ver imediatamente o Pearl Jam, estava ansiosa demais pra prestar atenção em qualquer outra coisa. Entretanto, qual não é a nossa surpresa quando Eddie Vedder entra no palco para canter com eles a última música do show? Ah, foi lindo vê-lo de perto pela primeira vez! Mas isso era só o tira-gosto.

Mais uma vez começamos com Go. Realmente é muito emocionante estar lá na frente na hora da avalanche humana. Pena que sempre tem uns imbecis que querem ir na grade de um show de rock sem serem tocados por ninguém. Um desses grandes cretinos tentou melar nossa alegria, mas não conseguiu.

O setlist seguiu bem parecido com os anteriores, e ansiedade era pelas famosas surpresinhas, aquelas músicas que eles sempre mudam de um set para o outro. Confesso que estava um tanto cética e já conformada com o fato de que não ouviria a maior parte da minha Wishlist, afinal de contas, já era o pênultimo show, havia pouco tempo. Ainda bem que eu errei.

Confesso que tudo mais o que aconteceu naquela noite está um pouco apagado da minha memória, porque os momentos mais emocionantes foram MUITO emocionantes. Arrebatadores, eu diria:

  • Dissident – Lembro de cada instante do silêncio que precedeu a música, e de cada batida da bateria na introdução. Foi nesse instante em que eu arregalei os olhos, mas foi com a guitarra do McCready que eu abri, como disse a Babi, o maior sorriso do mundo. Nem chorei, só cantei com todas as minhas forças, olhei pro céu e agradeci por mais este sonho realizado.
  • In Hiding – Essa, junto com Dissident, era provavelmente a música que eu mais desejava escutar nesta turnê. Mas nem nos meus melhores sonhos as duas estariam no mesmo setlist. A comoção foi geral entre as pessoas com quem eu estava, e mais uma vez eu só pude olhar pro céu e agradecer por aquilo estar acontecendo. It’s funny when things change so much, it’s all state of mind.
  • Breath – Surpresa das grandes, já que essa música não costuma ser executada com tanta frequência. E é maravilhosa. E já foi trilha sonora de momentos importantes da minha vida. E eu pulei, gritei, urrei como se não houvesse amanhã.
  • Off He Goes – Nunca fui a maior fã dela, mas naquele contexto me soou muito especial. Isso porque ela sempre me lembrou a Clau, que estava ao meu lado neste show em Curitiba. Lembro de tê-la abraçado quando a música começou como quem comemora um gol.
  • Footsteps – Outra enorme surpresa. Também não era da minha Wishlist, mas ver Eddie Vedder cantando essa música ao vivo, bem na sua frente, provoca uma catarse TÃO GRANDE que é até difícil explicar. Lembro de ter olhado para o telão no momento em que a câmera focalizou uma garota que, aos prantos, dizia “Eu não acredito que isso está acontecendo”. Lindo.

Babi e eu, no aperto e na espera :)
De um modo geral, eu achei o público de Curitiba bem mais frio que os outros. No entanto, a banda deve ter discordado de mim, pois não só capricharam no setlist como Eddie Vedder brindou a galera com vários mimos. Primeiro ele desceu ao vão entre público e palco, passando, portanto, MUITO PERTO DE MIM. Sim, ele existe. Aparentemente é de carne e osso, mas eu ainda desconfio que seja divino. Depois, ele distribuiu muitos pandeiros para o público da grade. Lógico que eu morro de inveja de quem tem esta relíquia, mas fico sinceramente emocionada pela alegria nos rostos das pessoas que receberam a dádiva. Eu os entendo.

Saí do Estádio do Paraná Clube suada, fedida, descabelada e feliz como poucas vezes tinha sido. Foi um marco ter visto duas das músicas mais importantes da minha vida. Mas mais importante ainda foi ter visto um show do Pearl Jam com as pessoas que Pearl Jam trouxe pra minha vida.

***Epílogo***

A volta pra casa da Nah e do Drico foi outra mini-aventura, porque eu vaguei mais de uma hora, na madrugada, por uma cidade que eu desconheço, até encontrar um taxi. Mas eu tava tão feliz que teria andado até Porto Alegre – onde, aliás, minha jornada terminou de maneira épica num nível Lost. Mas isso é assunto pro próximo capítulo.

***Ficha Técnica***

Quando: Quarta-feira, 09 de novembro de 2011
Onde: Estádio do Paraná Clube, Curitiba
O que: